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Começar do Zero (Após os 30)

Começar do Zero (Após os 30)

10
Mai17

Admito que sinto a tua falta

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Sim, admito que sinto a tua falta. Admito que queria falar contigo neste momento. Admito que há muito o sinto e há momentos em que surges na minha cabeça. Mas também admito que o meu orgulho não me deixa voltar atrás...

 

Éramos inseparáveis. Falavamos de tudo. Não havia tabus. As gargalhadas que demos juntas, os pensamentos transmitidos apenas por um olhar, o saber mesmo antes de abrires a boca o que ias dizer, as confusões que faziam entre nós. Era algo especial, era algo único que pensei que nunca iria acabar.

 

 

Lembras-te daquele dia em que uma de nós teve de sair da sala porque não conseguiamos sequer olhar uma para a outra sem desatar a rir? Lembro-me como se fosse hoje e já lá vão uns bons anos. Mas quando penso nisso, penso no quanto era feliz, no quanto me fazias bem, no quanto podia confiar cegamente em ti.

 

Até ao dia em que me desiludiste. Não foi a primeira vez, mas dessa vez, ultrapassamos, entendemos os pontos de vista uma da outra e seguimos em frente. Pensei que nunca mais se iria repetir, mas, pelos vistos, estava enganada.

 

Não esperava, confesso. Admito que houve alguma culpa da minha parte, deixei-me levar por uma amizade "fast food" como tu disseste - e tinhas alguma razão - mas não consegui, nem sei se ainda consigo, perdoar a forma como me trataste, a indiferença, a voz altiva, o olhar de desprezo. Algo que nunca pensei. Por raiva, por inveja, por saudades, coloquei uma barreira ainda maior entre nós num momento de criancice, é verdade, mas também tenho direito a ser criança de vez em quando, como tu foste em relação à nossa amizade.

 

Fiz tudo por ti. Onde fosse, levava-te comigo. Nunca pedi nada em troca. Apenas a amizade incondicional que achei ser para todo o sempre. Não o foi. Já passaram anos e nunca mais troquei uma única palavra contigo. Não sei se estás bem, se estás mal, e confesso que isso às vezes me passa pela cabeça.

 

Gostava de te contar como está a minha vida, gostava que tivesses estado presente quando mais precisei e talvez se te tivesse ligado terias atendido. Ou não. Quem sabe?

 

Sinto a tua falta. Mais do que gostaria de admitir. Mas não consigo ultrapassar a última discussão, as palavras ditas e a frieza com que falamos uma com a outra. Sei que nunca irás ler isto, mas desculpa. Se fosse hoje, seria diferente. Pelo menos da minha parte.

 

Pode ser que o destino se encarregue de nos colocar novamente no mesmo caminho. Caso isso não aconteça, ficará para sempre a lembrança dos bons momentos e o sentimento de que tudo poderia ter sido diferente. Sinto a tua falta, porra.

 

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