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Começar do Zero (Após os 30)

Começar do Zero (Após os 30)

17
Mar17

Descobri o que é a ansiedade

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Era uma viagem romântica. Comemorava 12 anos de namoro. Ia de viagem. Chovia torrencialmente. A meio, algo começou a não bater certo. 

 

"Foi a pizza. Caiu-me mal. Tinha um sabor estranho", pensei eu sem comentar nada. A barriga estava estranha, parecia um bebé a pontapear (imagino eu). Sempre tive problemas de estomâgo, por isso, não liguei muito. "Chegando à casa que alugamos tomo os comprimidos e isto passa".

 

Cheguei (finalmente!!!). Nada de sinais de alarme, a má disposição foi-se. Yupi!!!

 

Wrong. Umas horas mais tarde a coisa piorou. Inchei, fiquei estranha, mas achei que ia passar, como sempre. Mas isto não era "como sempre". Não passou. Passei foi a noite, que supostamente seria romântica, enfiada na casa de banho à espera de vomitar. "Vou ter outra gastroentrite. É agora. Vou vomitar". Mas nada... só o sentimento de querer vomitar, tremores, suores frios e nada de vómitos.

 

 

Preocupado, o meu namorado estava do outro lado da porta com um chá pronto para mim. Tomei. Melhorei. Durante 10 minutos.

 

Voltou tudo ao mesmo. Voltei à casa de banho. Nada. "Que é que se passa???"

 

Fui para o quarto, tomei mais um comprimido convencida que era mais uma crise de estomâgo. Não resultou. Tomei um xanax - tinha começado a tomar há alguns meses por outros motivos - e a coisa acalmou. "Ok, passou. Amanhã é outro dia".

 

E foi. Andei melhor, mas à noite, voltou tudo igual. Foram os piores três dias de mini-férias que já tive. Momentos bons marcados por momentos horríveis em que não conseguia entender o porquê de estar assim, sendo que só comia grelhados e bebia água.

 

Voltei para casa. Tudo piorou. A comida saudável não ajudava, cada vez estava mais magra, tinha crises terríveis e não sabia mais o que fazer. Pesquisei na Internet os sintomas, tudo indicava uma gastrite nervosa.

"Gastrite nervosa?? Era só o que me faltava agora". Fui ao centro de saúde, expliquei o que sentia, deram-me comprimidos protetores de estomâgo mas tudo continuou igual.

 

Por fim, desesperada, decidi recorrer a um especialista. "Tem uma gastrite nervosa. Não se pode enervar e tem de tomar estes comprimidos de manhã e ao jantar durante x tempo". Está certo. Já sabia. Finalmente tinha a comprovação e uns comprimidos que faziam efeito. O problema era a parte de não me enervar. Mas era um começo.

 

Durante uns meses a coisa correu melhor. Fui de férias. Crises??? Tive uma. Comi de tudo, bebi álcool, estava pronta para outra, dizia eu. Wrong again.

 

Voltei para casa. Voltou tudo. "Há aqui qualquer coisa que não faz sentido". Os xanax começaram a ser usuais, e comecei a perceber que conseguia controlar melhor as crises. Mas que crises? Ora pois, crises de ansiedade. Causadas por um monte de tretas que culminaram nesta linda porcaria de que sou vítima há um ano e um mês (e uns diazitos).

 

Voltei a outro médico. "Não quero drogas fortes. Não quero antidepressivos", era a única coisa que dizia. Mais xanax então para a mesa 1 faz favor!!!!

 

Hoje, com xanax de manhã, à tarde, e à noite, mais os dois comprimidos para o estômago, posso dizer que aprendi o que é a ansiedade.

É uma coisa estranha, a ansiedade. Apodera-se de nós quando menos esperamos, sem motivo aparente, mesmo quando estamos a tentar relaxar uns minutos. Ou então decide aparecer no meio do trânsito, a meio de uma conversa entre amigos ou após algo stressante (estas sim são as piores).

 

Não é fácil conviver nem com a ansiedade nem com pessoas como eu. Eu sei. Agradeço aqui publicamente a quem me tem aturado nestes meses difícieis. Sei que nunca mais serei a mesma, mas, lá está, bem vinda aos 30.

 

 

 

 

 

 

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